Pedrógão Grande
No passado sábado foi, possivelmente o dia mais quente do ano. Tínhamos combinado passar o dia com uns amigos, para os lados de Montemor o Novo e lá fomos.
Calor, muito calor. A certo ponto do dia, começa-se a ouvir trovoada, nuvens a aparecer, e de repente, chuva e mais chuva. Assim do nada, muita, muita chuva. Assim como começou, assim foi embora, de repente.
Fomos para casa, e o cenário aqui era igual. Nuvens a formarem-se, ouve-se trovoada e de repente lá vem a chuva.
Não sabia do incêndio tampouco, não sabia de nada.
No dia a seguir, começo a ver as notícias no facebook e penso, isto não pode estar a acontecer!
Não vi nada na televisão, porque cá em casa reinam os miúdos e eu pouco ou nada tenho direito à televisão.
Segunda-feira é que tive realmente a noção de tudo o que se estava a passar. Chorei! Foi a única coisa que consegui fazer.
Não há explicação para o que se está a passar!!
Nesse mesmo dia fui buscar o miúdo mais cedo à escola e fui directa aos bombeiros da minha área de residência, deixar um saco com roupas de criança e comida. O meu filho perguntou-me o que estava a acontecer. Expliquei-lhe. Ontem disse-me que a professora pediu às crianças para falarem com os pais a fim de puderem ajudar. Hoje disse-me com um olhar muito triste "Mãe, não me digas mais nada do que está a acontecer, por favor. Tive um pesadelo horrível! Estávamos a fugir do fogo, quando tu tropeças-te e caís-te. Tentei ajudar-te, mas veio um miúdo e começou a bater-me sem parar. Tu morres-te mãe! Não te consegui ajudar!". Então e o miúdo filho?, perguntei eu. "Fiquei tão aflito porque tu morres-te por causa dele, que comecei a bater-lhe. Muito mãe, porque te perdi!".
E é isto. Tenho o coração cada vez mais apertado. Só peço que estas pessoas encontrem a força necessária, com a ajuda de todos nós, para enfrentarem tudo o que estão a passar. Força, muita força para todos vós!

(foto retirada da internet)
