Já a algum tempo queria falar neste assunto, mas sempre achei que se calhar era eu a pensar demais, e que não era assim tão importante. Depois, aos poucos, começou a tornar-se chato ao ponto de começar a refilar sozinha e comecei a achar que afinal, até era bastante mau.
Pois bem, uma das coisas que mais detesto na vida (e não sou a única de certeza) é a condução de algumas pessoas, que a meu ver, nem deveriam ter a carta de condução.
Não, não sou perfeita a conduzir, longe disso, mas assumo que não o sou e pelo menos tento que a minha condução seja minimamente apresentável, para nunca causar transtorno a ninguém. Ponho sempre os piscas, vou sempre a menos de 50 km/hora quando tenho aqueles semáforos com velocidade controlada, vou sempre dentro da minha faixa sem pisar a linha que as separa, enfim, tento pelo menos mostrar civismo e respeito pelos outros, quer sejam condutores, quer sejam peões.
Mas ultimamente isto tem sido um descambar da situação. Ainda ontem, não tive uns 10 acidentes porque não calhou e sim, por culpa de condutores que não sabem o que fazem. Desde eu estar a passar e um carro não respeitar o stop, indo para cima do meu carro, e eu literalmente ter de travar a 20 cm do carro para não bater; desde irem para cima da linha da minha faixa por ser mais cómodo para fazer a curva e lá está, eu ter que abrandar para não bater; desde infelizmente, à saída do parque de estacionamento ter uma rotunda e eu estar precisamente a contorná-la quando um carro vai para cima do meu sem respeitar o facto de eu já ter entrado da rotunda, porque lá está, a rotunda é também uma fonte e como tal, não devem de a ver como uma rotunda e sim como uma fonte; e depois também temos uma senhora que decide, sem aviso prévio, abrir a porta do seu carro com toda a força, sem ver que por acaso, eu já estava a passar pelo carro e que por esse motivo, ter que fazer uma travagem brusca, para a coitada da senhora não ficar sem porta (sim porque estava a chover e depois era chato ir para casa sem a dita cuja).
Enfim, irrita-me profundamente a condução das pessoas hoje em dia. Cada vez mais pensam só nelas, sem nunca pensar nos outros. O civísmo está a desaparecer, o respeito está a desaparecer e eu fico cada vez mais assustada e perplexa com tudo isto.
O meu bebé (tem 20 meses, 18 meses de idade corrigida) foi pela primeira vez para a escolinha na 2a feira.
Andava preocupada pelo facto de ele ser um bebé bastante difícil, por ser muito chorão, por se atirar para o chão, por bater com a cabeça nas paredes quando é contrariado, por dormir só com alguém ao lado até adormecer, enfim, por um conjunto de razões.
No verão, na consulta dos 18 meses, a médica disse-me que do meu filho já espera tudo, inclusivamente cabeças partidas e outras coisas mais, e que seria muito bom ele ir para uma creche.
Disse-lhe que já o tinha inscrito numa e que entrava em Setembro. Ela disse que foi a melhor decisão que podia ter tomado (agora já não tenho tanta certeza), que lhe fazia muito bem, visto ele não ser muito fácil.
Na 2a feira foi a vez de o levar à escolinha, chorou, berrou, esperneou tanto que a educadora disse para o ir buscar às 11h. Cheguei às 11h como combinado e ele a brincar no pátio feliz da vida. Pediu-me para ir às 12h30. Assim foi. Cheguei e já o ouvia a chorar. Sentado na mesa, num pranto, sem querer comer mais. Levei-o para casa.
Combinámos que no dia a seguir ele iria dormir, para vermos como iria correr. De novo choro e berreira de manhã, eu de coração apertado (coração de mãe sofre) e a querer chorar com ele. À tarde novidades, dormiu muito bem, não chorou mais (expeto quando chego à tarde) e portou-se lindamente bem.
Tirando a parte do choro de manhã e quando o vou buscar, dizem que é um menino super tranquilo. Ok, obrigada filho. São todos assim, certo?
Agora os contras? Sim, há contras. Só quer o meu colo, o tempoooo todo. Não quer mais ninguém. Não me deixa fazer mais nada, desde que chega a casa. Chora se não lhe dou colo, chora se saio de ao pé dele. Não dorme. O meu filho que andava a dormir bem durante o dia não quer dormir mais, eu bem tento, se tento. Durante a noite, chora e berra 3, 4, 5 ou 6 vezes. Anda ansioso, já não sei mais o que fazer.
Espero que esta situação melhore, porque bem que precisamos, eu e ele.
Tenho uma obsessão por livros infantis. Amo de paixão. Desde que fui mãe pela primeira vez que esse "amor" aumentou e desde que trabalhei como auxiliar numa pré-escolar fiquei pior, confesso. Os meus filhos têm imensos livros. Já não tenho espaço, penso sempre que já não dá para comprar mais. No entanto, continuo sempre a tentar arranjar espaço para mais uns quantos. Sempre gostei de ler, tenho centenas de livros (que já estão espalhados por casas de familiares, porque aqui o espaço começa a ficar reduzido), mas desde que fui mãe, não sei. Os livros infantis ganharam um espaço muito especial no meu coração, assim como este livro da editora Planeta Tangerina. É lindo, retrata-me muito bem enquanto mãe (e muitas outras mães) e com ilustrações muito giras. Um livro que vale a pena ler com os mais pequenos.
No passado sábado foi, possivelmente o dia mais quente do ano. Tínhamos combinado passar o dia com uns amigos, para os lados de Montemor o Novo e lá fomos.
Calor, muito calor. A certo ponto do dia, começa-se a ouvir trovoada, nuvens a aparecer, e de repente, chuva e mais chuva. Assim do nada, muita, muita chuva. Assim como começou, assim foi embora, de repente.
Fomos para casa, e o cenário aqui era igual. Nuvens a formarem-se, ouve-se trovoada e de repente lá vem a chuva.
Não sabia do incêndio tampouco, não sabia de nada.
No dia a seguir, começo a ver as notícias no facebook e penso, isto não pode estar a acontecer!
Não vi nada na televisão, porque cá em casa reinam os miúdos e eu pouco ou nada tenho direito à televisão.
Segunda-feira é que tive realmente a noção de tudo o que se estava a passar. Chorei! Foi a única coisa que consegui fazer.
Não há explicação para o que se está a passar!!
Nesse mesmo dia fui buscar o miúdo mais cedo à escola e fui directa aos bombeiros da minha área de residência, deixar um saco com roupas de criança e comida. O meu filho perguntou-me o que estava a acontecer. Expliquei-lhe. Ontem disse-me que a professora pediu às crianças para falarem com os pais a fim de puderem ajudar. Hoje disse-me com um olhar muito triste "Mãe, não me digas mais nada do que está a acontecer, por favor. Tive um pesadelo horrível! Estávamos a fugir do fogo, quando tu tropeças-te e caís-te. Tentei ajudar-te, mas veio um miúdo e começou a bater-me sem parar. Tu morres-te mãe! Não te consegui ajudar!". Então e o miúdo filho?, perguntei eu. "Fiquei tão aflito porque tu morres-te por causa dele, que comecei a bater-lhe. Muito mãe, porque te perdi!".
E é isto. Tenho o coração cada vez mais apertado. Só peço que estas pessoas encontrem a força necessária, com a ajuda de todos nós, para enfrentarem tudo o que estão a passar. Força, muita força para todos vós!